Isabel Costa
Estar geograficamente num lugar do globo terrestre é uma situação factual, mas o efeito que isso provoca em nós é muito subjectivo. A nossa identidade é uma amálgama do que herdámos e exerdámos, do que trouxemos e levámos, do que fomos e que somos e que está em permanente mudança. Esta convicção é tão forte que por vezes o verbo “ser” se torna demasiado estático, desejando que apenas existisse o verbo “ir sendo”. Assim, dava a impressão mais correta daquilo em que permanentemente nos transformamos mesmo que, por vezes, em medidas tão pequenas que não se vê à vista desarmada. Portugal é um país pequeno que faz por caber numa Europa cansada. Esbraceja e tenta a todo o custo manter-se à tona. E se, tal como José Saramago em Jangada de Pedra, ou Emir Kusturika em Underground nos sugerem, nos pudéssemos afastar com um pedaço de terra, de país ou de península e, com a ajuda de uma pagaia, nos deslocássemos para outros pontos do globo cujo convívio já fez mais sentido na nossa existência?
Neste espetáculo, concebido para crianças e jovens, mas da maior relevância para todos os públicos, uma bailarina de skate começa por confessar ao público “não saber nada” de história. Mas logo depois, aos nossos olhos, um pequeno país se vai formando e de seguida viajando por um mappa mundi cuidadosamente desenhado e corrigido pela jovem ao longo de mais de 1200 anos. Nesta longa viagem de ir sendo, que se estende até aos dias de hoje, assistimos de modo crítico à constituição da(s) identidade(s) portuguesa(s), em diálogo com a realidade política, cultural e económica mundiais. Através de um dispositivo simples e eficaz – uma bailarina conversando e desenhando um mapa, provocadoramente centrado num Portugal fora de escala e cheio de si, temos ao nosso dispor um conjunto vasto e relevante de informações para discutir com os nossos jovens, cara a cara:
Quem somos, hoje e aqui, neste “país pequeno que faz por caber numa Europa cansada”?
De que forma nos foi contada a nossa história? Como gostaríamos de continuar a escrevê-la?
Como podemos ser melhores portugueses?
Dedico esta peça à minha mãe Manuela Bizarro (1941-2012) em reconhecimento do amor e da educação que me deu.
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Concepção, direcção e coreografia Aldara Bizarro
Interpretação/cocriação Isabel Costa
Música Vítor Rua
Colaboração Manuela Ribeiro Sanches
Apoio ao desenho David Bernardino
Apoios cem – centro em movimento, TM Collection
'Cara' é uma coprodução entre o Teatro Maria de Matos, o Centro Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura, o Teatro O Tempo de Portimão e o Cineteatro Municipal João Mota.Jangada de Pedra é uma estrutura financiada por Secretário de Estado da Cultura/DGArtes
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Estreia
12 Jan 2013 - Centro Cultural, Social e Recreativo 'A Voz do Alentejo' - Quinta do Conde
Exibições
Teatro Municipal de Sesimbra
Centro Cultural Vila Flor - Guimarães
Teatro Viriato - Viseu
Teatro Municipal da Guarda
Teatro Maria Matos
Teatro Municipal de Torres Novas
Teatro Municipal de Aveiro
Teatro Municipal de Águeda
Teatro Municipal de Torres Vedras
Convento de S. Francisco - Coimbra
Teatro do Campo Alegre - Porto
Biblioteca Municipal de Valença | Ui! Universidade Invisível "Trazer para dentro uma ideia de justiça"
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